quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Há uma tensão no ar bem na porta de meus sentimentos.
Aquele frio que dá na barriga segundos antes do elevador despencar do oitavo andar.
Aquele pavor do logo após ingerir o copo de Baudelair com vidro pilado.

Aquele não respirar quando as asas sobem e descem, a carcaça de alumínio range trepidante, as máscaras despencam, as aeromoças tontas baratas correm e piloto, voz embargada pela emoção, te aconselhando a afivelar o cinto.
Eu sempre estive neste vôo. Desde tempos imemoriais.
Mas o prazer de sentir a ronda do perigo, me faz curtir a tensão.
O copo de le bon vin de France sabe bem ao palato.
A falta de ar nos pulmões me faz mais leve.

É por isso que, em minhas múltiplas fraturas, vou feliz, como um moderno Saulo na estrada de Damasco, assoviando Il Barbieri di Sevíglia, fazendo contraponto ao grito lancinante da ambulância.
Sei tambéem que minha enfermeira é você. E as camas do hospital são da mesmíssima altura De tua linda cadeira...

oOo DAMASCO
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O lobo e a borboletinha

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